Quartas no Pátio – Cinema em Agosto – “Martha” de Rainer Werner Fassbinder

“Martha”, Rainer Werner Fassbinder (1974) 116m.

 

“Martha” melodrama realizado para televisão por R.W. Fassbinder, é o quarto filme do ciclo de cinema de Verão.
Fassbinder, figura maior do Novo Cinema Alemão, questionou sempre nos seus filmes a complexidade da Alemanha do século XX e a sombra do nazismo.
Martha (Margit Cartensen) personagem principal é aqui a representação da figura oprimida em todos os sentidos.
Ao libertar-se de um pai opressor, torna-se logo a seguir vítima de um marido que a aprisiona dentro de casa, tornando-se refém física e psicologicamente deste, o que a leva em última instância a ficar também refém da sua da sua própria loucura.
Helmut Salomon (Karlheinz Böhm) o marido, é o símbolo do machismo e do legado do horror nazi.
Obra brilhante de forte pendor teatral, actua como um espelho da maldade humana e de uma sociedade refém da sua história passada.

Quartas no Pátio – Cinema em Agosto – “Odete” de João Pedro Rodrigues

“Odete” de João Pedro Rodrigues
(2005) 97m.
João Pedro Rodrigues cineasta português, quiçá dos mais prodigiosos do nosso país, cria em “Odete” – o seu segundo filme depois da estreia na longa duração com o assombroso “Fantasma”, um melodrama alucinado, realista e fantástico.
Continua com este filme a percorrer os caminhos mais obscuros do desejo.
Esta é a história de um triângulo amoroso impossível; Odete, Pedro e Rui, e a força do cinema de trazer à vida o que parecia irremediavelmente traçado.
Ana Cristina de Oliveira é Odete, funcionária de um hipermercado, personagem emocionalmente instável, deseja ter um filho e decide levar esse desejo até às últimas consequências.
Pedro morre num acidente de viação, no plano inicial do filme, numa cena arrepiante de tão bela e dramática ao mesmo tempo, depois de ter celebrado um ano de namoro com Rui.
Odete idealiza estar grávida de Pedro, seu vizinho, no dia do seu velório.
E, a partir daí, deixa-se apoderar por essa obsessão de trazer Pedro à vida, assim começa a sua metamorfose…
“O amor é mais forte que a morte”

“A Experiência Afro-Brasileira na Tela” Queer Lisboa /ARFICA.CONT

Recebemos este domingo o Queer Lisboa e uma parte da programação integrada na mostra de cinema “A Experiência Afro-Brasileira na Tela”, terceiro ciclo comissariado pelo Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer, numa colaboração com o Africa.Cont.
Debate: Sexualidades Queer, Identidade e Género no Candomblé e na Umbanda

Religiões como o Candomblé ou a Umbanda tiveram um papel fundamental na construção de identidades e de um espaço de liberdade para as comunidades afro-brasileiras. Com uma importante parte da programação do ciclo “A Experiência Afro-Brasileira na Tela” dedicada a esta temática específica, neste debate pretende-se analisar, não apenas a importância histórica destas religiões no Brasil, mas o modo como ainda hoje são um reduto de resistência social e política, particularmente importante no acolhimento das sexualidades dissidentes, tendo nomeadamente desempenhado um papel de relevo na prevenção da luta contra o VIH-Sida, e na criação de novos modelos de família.

O debate conta com a presença de Clara Saraiva (Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e CRIA – Centro em Rede de Investigação em Antropologia), Karla Bessa (Professora na Universidade Estadual de Campinas e investigadora nas áreas de História Política, Estudos Culturais, Estudos de Género, Sexualidade, Teoria Queer e Estudos Fílmicos) e de dois representantes em Portugal do Candomblé e da Umbanda.

Programa:

16h00 – Programa de Curtas-Metragens Candomblé e Umbanda

Labelle, Isabel Nobre (Brasil, 2015, 15’)
http://bit.ly/2fWFQHP
Mulheres de Axé – Vozes Contra a Intolerância, Marcos Rezende (Brasil, 2013, 31’)
http://bit.ly/2fWUHSC
Pobre Preto Puto, Diego Tafarel (Brasil, 2016, 15’)
http://bit.ly/2eQZf8E

17h00 – Debate: “Sexualidades Queer, Identidade e Género no Candomblé e na Umbanda”
Com Clara Saraiva (Investigadora, Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e CRIA – FCSH), Karla Bessa (Professora na Universidade Estadual de Campinas e investigadora nas áreas de História Política, Estudos Culturais, Estudos de Género, Sexualidade, Teoria Queer e Estudos Fílmicos) e de dois representantes em Portugal do Candomblé e da Umbanda.

18h00 – DJ set por Mário Valente DJ